segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Indiana Jones: Caçadores da Arca Perdida (Parte Um de Dois)

Indiana Jones - Os Caçadores da Arca Perdida (1981)
Steven Spielberg – George Lucas – John Williams – Harrison Ford



Passei uma semana inteira pensando a respeito do que eu escreveria no meu segundo post...

Eu gostaria de escrever sobre um filme já maduro (pois taxar certos filmes de "velho" é praticamente uma ofensa), mas que ao mesmo tempo ainda se mantivesse jovial. Que a cada vez que eu o assistisse pudesse praticamente sentir seus aromas e paladares, da mesma maneira como sinto ao saborear certos vinhos.

Enfim, vários filmes navegaram por esta mente, vários diretores surgiram em meus sonhos para dizer um cordial "olá", quando finalmente me recordei do primeiro filme assistido no cinema e que realmente marcou minha vida.

Não, AINDA não estou falando de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, pois eu era apenas um bebê quando o filme entrou em cartaz, entretanto tive a honra no auge dos meus nove anos de idade e por bondade de uma tia, ir ao cinema assistir Indiana Jones e a Última Cruzada, meu primeiro filme legendado.

Felizmente eu já conhecia os outros filmes pela telinha e assistir ao encerramento daquela belíssima trilogia no cinema, definitivamente mudou minha maneira de vivenciar a experiência que a sétima arte é capaz de proporcionar.

Foi por isso que decidi homenagear os grandes mestres Steven Spielberg, George Lucas e John Williams através de quatro posts divididos em duas partes cada, dedicados às aventuras de Indy.

Uma vez que minha compreensão técnica musical é ainda limitada e que no universo de trilhas sonoras sou mais um apreciador que entendedor, contarei com a ajuda de Rogério Ferrari nesta minha maratona Jones, pois nada melhor que deixar os comentários sobre Williams a cargo de um competente músico e fã declarado do compositor. Roger cuidará das partes II e esperamos que você goste desta parceria!

Bom, chega de rodeios e vamos ao que interessa!



Existe uma lenda em Hollywood que Raiders of the Lost Ark surgiu da vontade de Spielberg em escrever sobre o lendário explorador inglês Percy Harrison Fawcett. Seu segundo nome seria um spollier de casting décadas antes, ou mera coincidência?

Fawcett foi um arqueólogo, explorador, ex-agente secreto do MI6 e amigo de Arthur Conan Doyle e acredita-se que Doyle escreveu O Mundo Perdido com base nas aventuras vividas por seu amigo.

Em 1925 o Coronel Fawcett junto de seu filho e um amigo de seu filho chamado Raleigh Rimmell, se embrenharam mata adentro na Serra do Roncador no Estado do Mato Grosso, à procura da cidade perdida de “Z”. Em 29 de Maio daquele ano se deu a última comunicação com a humanidade, uma vez que, após isso nenhum dos três foi encontrado.


Lenda Hollywodiana ou não, o personagem Indiana Jones tem muito a ver com o bravo Fawcett, pois é um professor universitário de arqueologia apaixonado e dedicado à procura dos artefatos a muito perdidos no tempo. Indy é o exemplo de integridade e fidelidade aos seus propósitos, pois apesar de mulherengo, brigão e ligeiramente trapaceiro, Henry Jones Junior sabe e demonstra muito bem a diferença entre o certo e o errado, o bem e o mal, e o limite entre arriscar, ou perder sua vida para trazer à luz do conhecimento coletivo um novo artefato histórico.

Os alívios cômicos, transições inteligentes e ações bem planejadas são a tônica deste primeiro e de todos os outros filmes da franquia.

A primeira bela transição surge logo nos primeiros segundos da película, quando vemos o símbolo da Paramount ganhar vida e se tornar uma montanha na América do Sul. Um golaço do diretor que não contava com CGI, mas "apenas" com um talento ímpar e grande percepção artística. Aliás, ponto também para George Lucas que produziu o filme e certamente teve muita dor de cabeça para encontrar locais bons e críveis para as tomadas externas, sem mencionar os imensos estúdios utilizados para as internas.

Outro tipo de transição usada que virou marca registrada da franquia e que até hoje povoa minha imaginação, são os mapas de países pelos quais Indy passa sempre que está em alguma viagem internacional. A primeira amostra que temos é de sua viagem dos Estados Unidos até o Tibet, em busca de uma Marion (vivida pela atriz Karen Allen) campeã de levantamento de copo, a propósito, um alivio cômico que funcionou tão bem, que foi reciclado vários minutos depois na cena entre Marion e Belloq.

Já que eu comecei a falar sobre alívios cômicos, separei os que julgo serem os melhores:

• atuação paspalhona do iniciante Alfred Molina (muito antes de virar o policial cheinho de Law and Order LA) no papel de Satipo, tentando com os dedos imitar seu patrão Indiana que está prestes a trocar o ícone de ouro por um saco velho cheio de areia. Ele aparece pouco no filme, mas seu “Si Señor” faz valer sua participação;
• o cabide de paletó nazista em forma de tchaco de kung fu. É impossível não esboçar um sorriso naquela cena;
• aranhas, cobras, ratos e muito outros bichos! Quem não se lembra de Indy caindo no poço onde encontrará a arca e topando com uma naja que foi gravada atrás de um vidro. Vidro que por sinal, refletiu a imagem do ator durante as gravações;
• por fim as cenas de sedução atrapalhadas entre Indy e Marion no barco pirata. Dá-lhe Indy levando espelhada na testa, caindo no sono bem no momento onde as coisas começam a esquentar entre os dois e a acertada fala da atriz "Você não é mais o homem que eu conheci 10 anos atrás", com a réplica de Harrison Ford "Não são os anos docinho. É a milhagem".


Assim como Clint Eastwood, Spielberg sabe trabalhar muito bem as sombras e a subjetividade de uma cena. O primeiro enquadramento de corpo inteiro e frontal de Indy ocorre somente após os primeiros três minutos de filme, entretanto escondendo seu rosto sob a sombra do chapéu. Outros planos foram registrados para contar a ação sobre um ponto de vista subjetivo, como a sombra de Indy dentro do bar de Marion, a sombra como reflexo de um raio refletindo o herói e seu chapéu sobre a caixa de pedra que guarda o recipiente contendo a Tábua de Moisés com os Dez Mandamentos (ou melhor, a Arca da Aliança), além da sombra de Indy e seu amigo Sallah (também conhecido como o Anão Gimlly de O Senhor dos Anéis) carregando a arca dentro do antigo templo.

Além dos jogos de sombra, Spielberg trabalhou muito bem a subjetividade para mostrar a decapitação de um nazista. Em uma cena que seria visualmente muito forte, Jones luta com um grandalhão aos pés de um avião em funcionamento. Assim como fez em Munich, o diretor mostra a explosão de uma cabeça através do sangue que espirra em um contra-plano, que naquele caso era a fuselagem do próprio avião.

Confesso que procurei erros nesta bela obra e consegui apenas listar a briga de Indiana com um nazista dentro de um caminhão, com o nazista sendo jogado para fora do veículo e atropelado de maneira pouco convincente, além da cena onde o herói nadando em alto mar alcança o submarino alemão inimigo, sobe no mesmo e com ele viaja várias léguas sem que a embarcação afunde mar adentro, como faria qualquer submarino de guerra.

O leitor pode questionar as inúmeras cenas providenciais como uma porta de pedra que fecha segundos depois do herói conseguir passar pela mesma, ou um cipó no momento exato, ou então uma saraivada de flechas tribais em forma de armadilha que nunca acertam Indy, mas a verdade é que Indiana Jones foi criado visando entretenimento puro e simples e não para transformar qualquer tipo de ação em algo crível, super certinho e próximo da realidade, como costuma fazer Christopher Nolan por exemplo. Aliás, até Nolan comete alguns exageros, pois se não cometesse, não faria cinema.

Encerrando esta longa análise, eu não poderia deixar passar em branco a fatídica cena no meio do deserto onde o personagem Belloq está travando uma batalha mental com Indiana, e o ator Paul Freeman engole uma mosca sob os olhos da câmera e o pior: em close!

Se aguentou ler essa longa homenagem até aqui, aproveite para desenterrar seu VHS, DVD, ou Blu-ray e assista novamente esse grande clássico.









Eligio W. Junior

3 comentários:

  1. Muito legal!
    Fiquei com vontade de assistir novamente!

    Só um comentário sobre o submarino: creio que naquela época a maior parte dos submarinos tinha motor diesel-elétrico (ou seja, um motor a diesel alimentava as baterias de um motor elétrico). Quando era necessário, ele usava as baterias para funcionar submerso, mas pelo menos parte da viagem tinha que ser mesmo feita na superfície porque o diesel que alimenta as baterias precisa de oxigênio para queimar.

    Abraço!

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  2. Bem observado Naga!
    Eu desconhecia esse detalhe técnico. Risos.
    Valeu pelo comment.

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  3. Para mim esse é o melhor filme de aventura já feito. Dificilmente este clássico será superado! A parte que contempla a retirada do "ídolo" da caverna é memorável.
    Velho amigo, após seus comentários fiquei com vontade de ver o Indiana pela 30º vez !!
    Grande abraço.

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