terça-feira, 30 de agosto de 2011

Indiana Jones: Caçadores da Arca Perdida (Parte Dois de Dois)


Londres, 1980.
Estamos vivendo anos de ouro no entretenimento cinematográfico, mesmo sendo esses conhecidos como Silver Age (críticos adoram rótulos e cultuar os clássicos, independente da qualidade) e temos a oportunidade de acompanhar a fase mais fértil do compositor John Williams que nos brinda com os temas mais marcantes da história do cinema.

Após o marcante motif para Tubarão, a ópera espacial Guerra nas Estrelas, sinais sonoros nos fazendo ter contatos imediatos com o outro mundo, acreditar que o homem pode voar em Superman, Mr. Williams está prestes a deixar sua assinatura em mais uma obra do amigo de longa data Steven Spielberg.

Reunido outra vez com a perfeição da Orquestra Sinfônica de Londres, nasce a famosa marcha que num piscar de olhos nos faz reviver as aventuras de Indiana Jones.


Fazer uma análise sobre essa trilha sonora é um deleite para um velho fã de música de cinema como eu. Sim, eu estava lá, no saudoso Cine Ouro Verde, imenso, munido com minha pipoca que na época não era tão CGI como hoje, no aguardo do filme, desprovido de spoilers, coisa que a internet inventou.

A riqueza de material composto é algo realmente sério. Não se trata de uma trilha branca, ou meros acordes tensos/rômanticos/grandiloquentes. Trata-se de uma sinfonia em si, pontuando a narrativa como poucos conseguiriam.

Usando a LSO em full scale e a ajuda de um coral grandioso, a partitura começa no exato clima sombrio e interrogativo que os créditos iniciais e as cenas pedem. Se hoje a marcha é a marca registrada de Indy, ela só é ouvida após 15 minutos de um crescendo sinfônico perfeito.

Os destaques da trilha que finalmente teve sua versão (quase) completa editada em compact disc começam a despontar a todo vapor na famosa cena onde Indiana corre em desespero da pedra gigantesca. A composição para os metais, em especial os trompetes é de tirar o fôlego.

A complexidade da história e narrativa, deu a Williams a oportunidade de compor vários temas para personagens e situações. Enquanto Indiana tem seu famoso tema, seu interesse romântico da juventude Marion Ravenwood tem uma melodia só dela, composta no estilo das trilhas sonoras de décadas passadas, com o neo-romatismo de Miklos Rozsa, para citar outro mestre.

A Arca da Aliança em si possui um tema quase-religioso, grandioso e solene, ouvido ao decorrer do filme, como a maravilhosa variação na Sala Do Mapa e em full statement no final supreendente. Williams se deu ao luxo de brincar até mesmo com as outras sequências, onde normalmente se ouviria uma trilha vazia, como no jogo das cestas, uma perseguição gato e rato, ouve-se uma peça sinfônica de extremo bom gosto, atuante e discreta ao mesmo tempo. Genial!

O Tour-de-Force da partitura é obviamente a longa perseguição no deserto. Ouso dizer que esses são os 8 minutos de action music mais perfeitos compostos até hoje. E claro, não acho que existirá algo similar. Analisar essa faixa em si já ocuparia páginas e páginas de puro prazer sonoro.

A força que John dá com mais um motif, em crescendos da mais brilhante orquestração, as trompas em fortíssimo, os contra-pontos da tuba, o imenso naipe de percussão, unidos com o preenchimento das madeiras e os fraseados das cordas, elevem a famosa marcha onde ela jamais esteve.

Bem, que mais dizer? É uma obra de arte que realmente completa o filme com esse toque mágico.

Se chegaram até aqui, e pretendem rever esse clássico, proporcionem às suas almas o prazer de "ouvir" o filme um pouco mais. Vale a pena.





Rogério Ferrari

2 comentários:

  1. John Williams is the man! Disse tudo, vale muito a pena ouvir o filme quantas vezes puder.

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  2. Mestre supremo das trilhas!!!Moonward seu pupilo!

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