terça-feira, 6 de setembro de 2011

Lanterna Verde


Até agora este blog se dedicou apenas a elogiar obras cinematográficas, então creio que é chegada a hora de “malhar o primeiro Judas” eleito, ou seja: Lanterna Verde. Para isso contarei com a ajuda de mais um novo colaborador do time Conversa Pós-Créditos, meu grande amigo Alexandre Heilborn.

Lanterna Verde narra a jornada do super-herói da DC Comics Hal Jordan, o primeiro humano eleito a integrar a tropa dos Lanternas Verdes, guardiões intergalácticos responsáveis em defender cada parte do Universo contra todo mal existente, em seus 3.600 setores espaciais.

O filme é um exemplo clássico de como um diretor e alguns roteiristas podem acabar com uma promissora carreira cinematográfica de um personagem tão adorado pelos fãs.

Martin Campbell já era conhecido em Hollywood por proporcionar ao público e aos bolsos dos estúdios bons blockbusters como A Máscara do Zorro e Limite Vertical, sem mencionar o excelente 007 Cassino Royale, onde com maestria desconstruiu o icônico agente secreto britânico transformando-o em um personagem explosivo, problemático, mais real e crível, além de obviamente galã e loiro. Infelizmente parece que sua criatividade terminou na mesa de pôquer de Bond, pois em Lanterna Verde vemos uma direção no piloto automático, focada na grana paga pelo estúdio, como o próprio diretor declarou recentemente no Omelete.

O filme é executado sob um roteiro raso e sem o apelo emocional de uma franquia bem sucedida como a trilogia Batman de Christopher Nolan. O personagem é absurdamente mal explorado e suas motivações (aliás, apenas uma, que é “sentir medo de tudo na vida”) são fracas, redundantes e beirando a breguice.

Mostrar a origem de um personagem de HQs é, apesar de clichê, algo ainda necessário para o público que desconhece aquele personagem. Entretanto, isso não é desculpa para não realizar tal introdução de forma criativa e apaixonada, como já fizeram Zack Snyder em Watchman e Robert Rodriguez em Sin City.


Lanterna Verde, começa com a introdução de Tomar Re (que nos quadrinhos é o historiador da Tropa dos Lanterna Verdes) apresentando o universo da estória de forma bastante interessante visualmente. Se os roteiristas explorassem mais esse conceito, provavelmente o filme seria mais atraente para fãs e público em geral, pois a profundidade possível de ser encontrada nos gibis sobre esses seres fantásticos é enorme. Tristemente, a obra se fecha em torno de Hal Jordan, terráqueo escolhido pelo anel para ser o substituto de Abin Sur, outrora o mais influentes de todos os lanternas.

Ryan Reynolds, apesar de ter sido massacrado por sua interpretação que não deu vida ao Hal Jordan dos quadrinhos, não pode ser o total culpado pela falta de carisma e dramaticidade, pois quando bem dirigido apresenta bons resultados como no remake Horror em Amytiville de 2005.


Os vilões são também um grave problema no filme!
Parallax, uma entidade cósmica que se alimenta do medo de todos os seres é temido por todos os lanternas e sozinho carregaria um filme, pois possui motivação necessária para um roteiro que desse foco ao seu poder destruidor de planetas e seres. Se isso tivesse sido levado em conta, o primeiro filme talvez mostrasse somente Hector Hammond com seu potencial suficiente para ser o vilão único de uma adaptação. Infelizmente, a motivação dada à vilania de Hector é pouco convincente e manjada, sendo fundamentada em um amor platônico e uma rejeição paterna dicotômica, uma vez que o personagem de Tim Robins (que foi também muito mal aproveitado) ao mesmo tempo em que subestima o filho, dá mostras de preocupação com o mesmo.
Seria então um total desperdício do seu dinheiro assistir a esse filme no cinema?

Se você gosta de uma boa diversão descompromissada dos conceitos que formam a sétima arte e aprecia filmes em computação gráfica 3D, vale a pena comparecer ao escurinho dos multiplex, pois o visual do filme é fantástico. O planeta Oa e todos os lanternas que nele se encontram é muito bem apresentado e até o 3D, apesar de convertido, ficou bom e me transmitiu alguma sensação de profundidade.


Pela complexidade do universo de Lanterna Verde, essa franquia tinha tudo para se transformar em um possível novo Star Wars, porém o dinheiro mais uma vez falou alto na terra do Tio Sam e o descaso com os fãs sacramentaram um filme jogado ao vento, esperançoso em grudar na mente do público teen.






Eligio W. Junior & Alexandre Heilborn

Um comentário:

  1. Olá pessoal, aqui quem fala é Brunno Mariante (loja PK), concordo com o que os nossos amigos: Hell e Elígio descreveram na resenha sobre o filme.
    Queria também por um pouco de minhas palavras, antes de tudo o personagem Hal Jordan é um militar muito, mas muito sério e organizado. Virtudes que foram deixadas completamente de lado no momento em que chamaram o ator Ryan Reynolds para representá-lo.
    Esse lance de ter um Hal Jordan mulherengo, cafageste, avoado e irresponsável combinariam mais e deixariam o filme melhor se o título do mesmo fosse: As Aventuras de Guy Gardner.
    Para arrumar o filme nesse caso, bastava por uma peruca ruiva na cabeça dele e fazer um corte estilo "panetone" que todos achariam um barato.
    Isso é fato, ele até serviu para representar Deadpool no filme X-Men Origins - Wolverine, mas jamais o Hal Jordan!
    Outras coisas que muito me desagradaram, foi o fato de ter um Sinestro no filme, e simplesmente não usá-lo para praticamente nada. Dando mais importância para o vilão Paralax, que por sua vez é um "peido amarelo" que possui a profundidade de um pires.
    Eu pude ler o prelúdio algumas horas antes de assistir o filme, e me preparei espiritualmente para ver um best seller, mas dei de cara com um fracasso.
    Para não dizer que o filme foi 100% jogado no lixo, eu gostei de dois personagens até que importantes para a história, mas que também não foram muito usados, eles são: Kilowog (o treinador alienígena brutamontes) e aquele piriquitão mutante com características de peixe, no qual não me lembro do nome, mas que sinseramente roubaram a cena do fracassado protagonista.
    Não posso também deixar de lado que Abin Sur, ficou bem legal também.
    Por sinal, quem assistiu o filme legendado, pode ouvir a voz do ator: Michael Clarke Duncan (o mesmo de A Espera por um Milagre / Rei do Crime de Demolidor) nos diálogos de Kilowog.
    No mais, logo teremos outros bons filmes da DC, tomara que acertem a mão da próxima vez.

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