domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret


A Invenção de Hugo Cabret é um daqueles filmes onde confesso que não consigo distinguir até onde o diretor foi genial e até onde a combinação de um bom roteiro e ótimos atores propiciou um trabalho primoroso.

A verdade é que Scorsese contou com um elenco de primeira como Sacha Baron Cohen (o famoso Borat!), Sir Ben Kingsley (o imortal Gandhi), Christopher Lee (em minha opinião o melhor Conde Drácula depois de Bela Lugosi), Jude Law (Sherlock Homes), Emily Mortimer (A Ilha do Medo), Chloë Grace Moretz, entre outros. Aliás, foi muito bom ver a pequena Chloë em um papel mais light, pois desde “Deixe-me Entrar” eu estava impressionado com o forte papel vivido pela jovem atriz.


O diretor também tinha em mãos o simples e poético roteiro de John Logan, grande conhecedor de narrativas dramáticas como Um Domingo Qualquer, Gladiador, O Último Samurai e O Aviador. Não sei se a bela homenagem prestada a Georges Méliès está tão presente no livro homônimo do norte-americano Brian Selznick, porém não há dúvidas de que esta foi a mais graciosa maneira de agradecer a Méliès, que apesar de não ter inventado o cinema, é o pai dos efeitos especiais e precursor da linguagem cinematográfica juntamente de David W. Griffith (O Nascimento de uma Nação) e Sergei M. Eisenstein (O Encouraçado Potemkin). É graças a genialidade de Méliès que até hoje temos a sétima arte desenvolvida ao redor da magia e encantamento.


Durante a exibição da obra, uma estranha sensação de assistir a um filme de época, mas com “ares” mais contemporâneos se apossou de meu ser. Talvez isso seja reflexo da impecável Direção de Arte representada pelas câmeras e projetores dos tempos de Méliès, pela elegante Paris daquele período, pelas roupas e maquiagens leves, além da estação de trem que proporcionou belíssimos planos abertos e aconchegantes planos médios retratando o cotidiano das pessoas que ali trabalhavam e viviam.

E onde entra Scorsese, além do cameo (aparição especial de um profissional da produção) como fotógrafo no filme?


Num primeiro momento eu diria que na direção de câmeras e da tecnologia 3D, que por sinal foi brilhantemente empregada neste filme. Poucos são os momentos onde se percebe a estereoscopia, mas quando ela se apresenta, assim o faz para ajudar a contar a história e não para enfeitar um enquadramento qualquer. Os travellings aéreos e cenas da parte interna do relógio da estação provam isso.

Pensando na direção de atores, creio que a única mudança válida de comentário é um Scorsese extraindo atuações mais cômicas e leves, contrárias aos personagens complexos e pesados dirigidos até então. Como já dito antes, o filme em sim oferece um roteiro simples, apesar de carregar uma lição muito importante de que sem propósito, somos todos peças quebradas da máquina chamada humanidade.

Também é importante ressaltar o trabalho realizado por Scorsese para mostrar como seriam os bastidores dos sets de Méliès, além da reprodução de algumas cenas clássicas da filmografia do diretor. Martin acertou a mão nesses momentos de sublime poesia artística.

O resumo da ópera é que “A Invenção de Hugo Cabret” não é o melhor filme de Martin Scorsese, entretanto é merecedor de palmas e válido de ser visto em 3D e no cinema.

Afinal, não é sempre que assistimos a um filme aparentemente infantil, com uma forte mensagem filosófica.


Um abraço e até a próxima!




Por Eligio W. Junior
Revisão de Cassiana Fabbrini

2 comentários:

  1. Cada vez mais me envaidece ser amigo de um, tão detalhista, "analista" de cinematografia. Não pelos Oscars recebidos, mas por sua brilhante análise, fiquei ansioso por ver. Gde abraço. Luiz Nunes

    ResponderExcluir
  2. Thanks meu caro!

    Para o próximo post tenho algo em mente que o envolverá, meu sábio amigo =)

    Abraços.

    ResponderExcluir