sábado, 11 de fevereiro de 2012

O espião que sabia demais: demorou, mas o chegou o primeiro post de 2012 =)

Antes de começar a crítica, preciso contar um pouco da experiência que vivi com esse filme!

Era um belo Domingo ensolarado em Barueri e eu passeava no novo Shopping Iguatemi do Alphaville. Como eu tinha algumas horas livres decidi assistir a algum filme e por isso subi os andares em busca das salas de cinema. Ao encontrar a bilheteria pedi uma inteira para o filme “O espião que sabia demais” e comecei a achar tudo muito estranho, quando a atendente pediu para que eu escolhesse a poltrona.

Até aí tudo bem, pois o Imax no Shopping Bourbon também é assim, porém quando ela me disse o valor do ingresso, não passou nada na minha mente além de um singelo “WTF?”.

Como eu já estava ali resolvi encarar e foi só aí que descobri a palavrinha mágica VIP, ao final do nome Cinépolis. Mais tarde descobri que do outro lado do mesmo piso existe o Cinépolis com preços mais acessíveis.


Bom, com o ingresso na mão eu me dirigi à sala e lá entendi a razão de ter pagado tão caro! A sala é realmente VIP e no lugar das já conhecidas cadeiras desconfortáveis de classe econômica existentes em todas as salas país afora, neste Cinépolis VIP as poltronas são no estilo “cadeira do papai”, com estofamento de couro muito aconchegante e limpo. A poltrona possui reclinação elétrica e é possível assistir ao filme praticamente deitado (que foi o que eu fiz), num conforto digno de reis. Une-se a isso uma boa qualidade de projeção e de som, além de apenas mais um casal dentro da sala e eu me senti um verdadeiro magnata de Hollywood assistindo a uma sessão praticamente minha.

Apesar de muito caro, tudo estava lindo e confortável, porém uma pergunta ainda não se calava. E se o filme fosse uma bomba? Não estava nos meus planos pagar uma nota apenas para dormir!

E então sobem os créditos iniciais e o filme começa em um ritmo europeu arrastado que eu adoro.

O longa é baseado no romance homônimo do inglês John Le Carré e conta com a direção do sueco Tomas Alfredson (diretor da versão original de “Deixe Me Entrar”). Seu plot narra a investigação nada oficial do ex-agente George Smiley em busca do traidor existente dentro do Serviço Secreto de Inteligência Britânico (MI6) no início da década de 1970, período marcado pela Guerra Fria.

O ritmo do filme é deliciosamente lento e com um desenvolvimento em camadas sutis, entretanto, tensas. Filmes de espionagem sem mortes, não são filmes de espionagem e o bom texto de Bridget O'Connor e Peter Straughan proporciona cenas breves de execuções. Os clichês deste gênero de filme também foram deixados de lado e a direção leve e assertiva de Alfredson nos poupa de explosões, lindas mulheres e agentes sarados quebrando tudo e matando a todos.

Somos também agraciados com jogos de sombras e fumaças de cigarro que transmitem o clima tenso e pesado da época, sem mencionar a ótima trilha de Alberto Iglesias, que nada tem a ver com Julio, ou para os mais novos, seu filho, Enrique!

Vale destacar a música presente na cena onde o agente Peter Guillam (Benedict Cumberbatch) se encontra dentro do MI6 trabalhando como agente duplo para o protagonista George Smiley (Gary Oldman). Até atingir o clímax da cena, o tema que segue crescendo de maneira sutil leva o espectador a roer as próprias unhas, ao presenciar a possibilidade de ver o personagem ser pego enquanto tenta roubar uma pasta de conteúdo crucial para as investigações de Smiley.


Momentos transitórios que giram ao redor de Smiley como as noites no escritório improvisado, os mergulhos matinais em uma piscina natural e os dias de solidão vividos por um homem de meia-idade abandonado pela ex-mulher mais jovem, constroem o personagem de Oldman de maneira progressiva e poderosa. Aliás, essa foi em minha opinião a melhor atuação da carreira de Gary e completamente merecedora do Oscar deste ano. Infelizmente, acredito que a Academia presenteará Pitt, ou Clooney.


Outra cena que merece destaque é o diálogo entre Smiley e Ricki Tarr (Tom Hardy), onde o primeiro revela a Ricki o dia em que ele conheceu seu maior rival e “vilão” da Guerra Fria, o russo conhecido como Karla. O texto faz Oldman narrar o evento em terceira pessoa, fazendo às vezes de ambas as personagens (Smiley e Karla), em uma narrativa belamente escrita.

For falar em atuações, não posso ignorar o elenco de peso formado pelos renomados Mark Strong (Sherlock Holmes), John Hurt (Harry Potter), Toby Jones (Capitão América), Colin Firth (O Discurso do Rei), Tom Hardy (A Origem), entre outros.

Sem mais delongas, “O espião que sabia demais - Tinker tailor soldier spy” bebe na fonte dos filmes mind-games sem pecar pelo exagero de ações, diálogos piegas e fracas motivações. Smiley quer encontrar o traidor por princípios de honra e em memória a seu ex-tutor Control. Ricki quer salvar a mocinha não só porque está apaixonado, mas porque pela primeira vez na vida quer fazer algo que faça valer a pena sua própria existência. Já o traidor... Bem, isso eu deixo para vocês descobrirem =)


Um abraço e até a próxima.



Eligio W. Junior.

7 comentários:

  1. Meu caro Elígio, Rá! Que delícia sua descrição da experiência com o filme - as críticas deveriam ser assim sempre. Uma crítica é sempre o ponto de vista do crítico e só. "E então sobem os créditos iniciais e o filme começa em um ritmo europeu arrastado que eu adoro." Maravilha - é assim que se faz! Grande abraço!
    Ronaldo

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  2. Concordo inteiramente com o post acima: "Uma crítica é sempre o ponto de vista do crítico e só." Além disso, de fato, sua descrição da experiência com o filme e suas impressões durante a sequência de frames é encantadora e nos fazem imaginá-las e, de certa ou alguma forma, "revivê-las". Cinema é isso no fim das contas!

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  3. Obrigado por me levar a conhecer o VIP Cinépolis. Que sensação gostosa a de assistir um filme com tamanho conforto, mesmo pagando mais que o convencional por isso. Nada convencional é sua retórica-cenéfila... Os posts anteriores já derramaram loas ao seu estilo perfeito de fazer a diferença crítica. Eu, humildemente, assino em baixo. Tá na hora do amigo enfrentar uma especialização em jornalismo e agregar tais valores ao seu crédito bancário. Abs

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  4. Sempre vi este filme na prateleira mas nunca me interessei por assisti-lo. Com seu depoimento será o próximo filme a ser alugado.

    abraços e e continue a escrever.

    obs. não sabia do VIP CINÉPOLIS, mas vale comentar também que no Shopping Cidade Jardim também há sala VIP e no Shopping Bourbon a sala 10 (se não me engano) e composta por sofás eu assisti ao Tio Boomb e suas vidas passadas...

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  5. Grande Edson,

    Creio que você sempre viu a primeira versão do filme.
    A versão que comento é um remake, mas vale a pena ver os dois =)

    Um abraço!

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  6. Fiquei com vontade de assistir o filme.
    Parabéns! Belo texto!

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  7. Parabéns risen!
    Como todos os elogiaram acima e o grande mestre Nunes já comentou, seu texto realmente está digno de um grande jornalista, diria até superior as críticas atuais do outrora grande crítico Rubens Ewald, que hoje prefere ser comercial e excêntrico.
    Mais uma vez um ótimo trabalho!

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