quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Batman, O Cavaleiro das Trevas – Uma Jornada em Três Atos

 

Em 2005 quando um novo filme sobre Batman seria lançado pela Warner Brothers, a comunidade de fãs do Cavaleiro das Trevas permaneceu em estado de alerta e tensão. E não era para menos, uma vez que os amantes dos quadrinhos haviam sofrido e muito com os filmes anteriores, especialmente aqueles dirigidos por Joel Schumacher (quem não se lembra das bizarrices como um Batman loiro e armaduras com peitinhos?).

Particularmente sou fã de carteirinha de Tim Burton e adoro os dois primeiros filmes (Batman de 1989 e Batman Returns de 1992), mas a verdade é que ninguém sabia o que “esse tal de Christopher Nolan” mostraria neste filme, que seria um reboot de toda a franquia. E eis que para a alegria de muitos Nolan foi além de todas as expectativas e iniciou uma das melhores sagas do cinema recente.
Como já comentado por caras como o Érico Borgo e Marcelo Forlani, é impossível falar sobre cada um dos três filmes (Batman Begins, Batman The Dark Knight, Batman The Dark Knight Rises) separadamente, uma vez que ao término da projeção da última película nós entendemos que todos fazem parte de algo maior. Parte de um único filme grandioso, com um começo, meio e fim muito bem definidos, onde as pontas soltas só existem de maneira proposital, para viabilizar futuros projetos da Warner em torno deste tão querido e obscuro personagem.


A partir desta constatação decidi prestar uma homenagem singela ao grande mestre Christopher Nolan, separando abaixo cinco dos mais importantes fundamentos deste incrível diretor.

  • Desde Begins Nolan foi inteligente em escolher atores e atrizes de peso para participar desta franquia. Como vemos nos extras do primeiro filme, sempre foi grande a preocupação do diretor em trazer ao set figuras ilustres e competentes, que pudessem proporcionar personagens verossímeis tanto para o espectador comum, quanto aos fãs das HQs. Vale também ressaltar o excelente trabalho realizado pelos roteiristas Jonathan Nolan, David S. Goyer e claro, o próprio Christopher.
  • Dentro do “Nolanverse” não existe espaço para vilões caricatos e pouco ameaçadores.
    Os ótimos textos sempre deixam espaços para os necessários alívios cômicos, porém os vilões são verdadeiros vilões e o ótimo casting imprime na película um sábio e respeitável Ra’s Al Ghul (vivido por Liam Neeson), um Espantalho (Cillian Murphy) real e demente, um Coringa (Heath Leadger) que deixa qualquer espectador perturbado e por fim, um Bane (Tom Hardy) que convence a todos como a personificação do mal puro. Creio que apenas Marion Cotillard e Ken Watanabe (Talia Al Ghul e Ra’s Al Ghul respectivamente) foram mal utilizados nos papéis que desempenharam, visto a tremenda capacidade de atuações que ambos possuem.
  
  • Também dentro deste universo de Nolan o fantasioso se aproxima mais do real, com um Batmóvel que existe de verdade, além de várias outras coisas como a capa do morcego e seu uniforme (ambos de tecnologia militar americana). O diretor que se diz pouco fã de efeitos digitais, ou os chamados CGIs, sempre que pode filma tudo ao vivo e por isso vemos explosões e perseguições tão reais e vívidas, pois no fundo elas realmente são para valer!
  • Pela primeira vez um diretor se preocupou em realmente entender a psique do Cavaleiro das Trevas e não dar apenas a sua versão do que deveria ser Batman. Nolan que não abriu mão de produzir um cinema mais autoral  (onde as mãos de ferro dos produtores oferecem mais espaço para o diretor criar como deseja)  conseguiu unir sua visão de artista, aos vários argumentos e construções psicológicas criadas previamente por gênios dos quadrinhos como Bob Kane, Frank Miller, Alan Moore e Jeph Loeb. Por isso vemos muitas passagens que nos remetem diretamente a cenas de clássicos como Batman Ano Um, A Piada Mortal, O Cavaleiro das Trevas, Um Longo dia das Bruxas, A Queda do Morcego, entre outros.
  • Christopher se manteve fiel à estética e tecnologia que acredita ser a melhor nos dias atuais e por isso filmou os três “episódios” em película ao invés de digital, obrigando inclusive que seus respectivos traillers fossem lançados em película. Foi a paixão pela maneira mais antiga de se fazer cinema que levou o diretor a abrir mão de uma infinidade de fundos verdes (para os CGIs), a construir cenários do tamanho de pequenos bairros e a utilizar as películas IMAX para potencializar o poder de sua obra.
Confesso que após tantas entrevistas assistidas e lidas, tenho minhas dúvidas se Nolan realmente pensou em Batman como uma trilogia desde seu início. Entretanto, acredito que conforme o sucesso surgiu e mais dinheiro foi disponibilizado pelos estúdios, este elegante inglês construiu algo que muitos tentaram e fracassaram: uma trilogia perfeita e encantadora. 


Sim, existem falhas nos filmes (como a muito simplificada queda de Bane, ou os fracos argumentos dados à Talia em busca de sua vingança), mas por se tratar de arte e não uma ciência exata, o mago Nolan conseguiu agradar gregos (leia-se público geral) e troianos (fãs dos quadrinhos) com três filmes sóbrios, competentes e que já deixam muitas saudades em todos aqueles que gritavam aos quatro ventos “IN NOLAN WE TRUST”.


Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior

3 comentários:

  1. Excelente análise da trilogia do Cruzado de capa!
    Espero realmente não me decepcionar com o final da saga, mas como confio em suas avaliações, irei sem medo!

    ResponderExcluir
  2. Muito boa a resenha, Eligio... acho que vou rever os dois primeiros da trilogia agora antes de assistir esse nos cinemas :)

    ResponderExcluir
  3. oi Eligio, muito bom! Fiquei com vontade de ver a trilogia novamente =)

    Abs!

    ResponderExcluir