terça-feira, 9 de outubro de 2012

Gladiador - Uma Fanstástica Jornada do SPQR aos Campos Elíseos


O Império Romano...
Aquele que de 44 AC a 476 DC conquistou diversos países, se desdobrou em diversos Estados, praticamente dominou a Europa, parte da África e Ásia e até hoje vive na imaginação da humanidade e sua arte.

Apenas aqueles que já estiveram em Roma e andaram por suas antigas ruínas conseguem entender, respirar e imaginar como foi a vida naquele lugar onde a glória, o poder e o derramamento de sangue andavam lado a lado.

Em 2000 eu assisti Gladiador pela primeira vez e lembro em ter passado meses pensando naquele filme. Doze anos se passaram e lá estava eu dentro do Coliseu de Vespasiano e Tito, imaginando que Maximus Decimus Meridius ali "perseverou, lutou, venceu e padeceu".

 

Ok, ok, eu sei que era apenas um filme, porém a fidelidade histórica, arquitetônica e política usada por Ridley Scott faz deste um dos maiores épicos da história do cinema!

O belíssimo roteiro de David Franzoni consegue contrapor os momentos de batalhas e vitórias, com os de profunda dor e desgraça vividos pelo protagonista, cujo único pecado foi ser fiel ao seu Caesar, ao seu exército e a sua amada família.

Maximus é o retrato perfeito daquele que destrói por cegamente acreditar na glória de Roma. Por acreditar em um ideal onde a atual capital italiana era a luz, em meio a um mundo dominado pelas trevas. Este general não lutava por ser vil, ou por interesses pessoais e por isso foi visto por seu líder supremo (Marcus Aurelius), como o sucessor natural ao trono do império.

É aí onde entra Commodus que mata seu pai para usurpar o trono e envia o respeitado general para uma sofrida jornada. A vilania do filho do Caesar é uma clara alusão aos inúmeros episódios de sucessões imperiais criminosas que corromperam Roma, especialmente no período de seu declínio. Na história real Commodus (ou Marcus Aurelius Commodus Antoninus Augustus) foi o filho legítimo de Aurelius e seu sucessor no trono de Roma, até ser assassinado por aqueles que queriam seu lugar no poder. Outro fator interessante é que Commodus constantemente se passava por gladiador e lutava contra estes sendo, obviamente, vitorioso em todas as lutas que a propósito, nunca acabavam em morte.


Mas voltado à sétima arte, nesta obra até a trilha de Hans Zimmer emociona e encanta. Tudo bem que o tema principal é praticamente um plágio do tema de Vangelis em 1492 A Conquista do Paraíso, filme também dirigido por Ridley. Seria esse um sinal, ou um alvará para o plágio?

Zimmer raramente faz algo 100% original, mas o que importa é que, ao menos em Gladiador, os deuses conspiraram a favor deste ex-tecladista de bandas oitentistas, que acertou a mão com uma música que envolve o espectador e no momento exato da história, consegue arrancar desse algumas lágrimas emocionadas diante do destino daquele “general que virou escravo. O escravo que virou gladiador. O gladiador que desafiou o imperador”.

Por falar em desafios, Ridley Scott possuía vários neste projeto, como as locações áridas e quentes no Marrocos e Ilha de Malta; a dependência em efeitos digitais para recriar a Roma esplêndida; atores chaves relativamente novatos como Djimon Hounsou (Juba) e Ralf Moeller (Hagen); além da inconstante carreira deste brilhante diretor inglês, que proporcionou ao mundo obras-primas como AlienO Oitavo Passageiro, Blade Runner, A Lenda e o Gângaster, ao mesmo tempo em que dirigiu tremendas porcarias como Cruzada e Robin Hood (tão subproduto de Gladiador que até o mesmo corte de cabelo se manteve no protagonista).


Ainda sim, Ridley cumpriu o papel de regente que um bom diretor de cinema deve exercer e nos entregou uma história tão crível, que até hoje consegue ultrapassar os limiares da ficção e nos fazer questionar se aquilo tudo realmente foi mera ficção, ou realidade!


Caminhando para o final desta conversa, rendo palmas, aliás, muitas palmas para Russell Crowe! Da sua preparação para o papel (o ator pegou tão pesado na malhação e machucou o ombro de tal forma, que precisou operá-lo alguns anos depois) à angustiante cena em que seu personagem encontra sua esposa e filhos queimados vivos, Crowe prova porque mereceu o Oscar de melhor ator, além das indicações de Melhor Ator Coadjuvante no ano anterior (O Informante) e Melhor Ator no ano seguinte (Uma Mente Brilhante).

A atuação do australiano nascido na Nova Zelândia é enérgica, porém sensata e contida. Através do olhar o ator consegue transmitir o ódio e a ardente sede por vingança, com a mesma facilidade que demonstra afeto, tristeza e dor. É impossível não "comprar" Crowe como um general inteligente, vencedor, bondoso e dotado de um enorme bom-senso, o que me faz acreditar que jamais existiria um Maximus Decimus Meridius sem um Russell Crowe, na mesma proporção que jamais existiria um Jack Sparrow sem Johnny Depp.


Antes que as trombetas toquem e as bigas comecem a luta, encerro afirmando que Gladiador é um filme para ser visto hoje e sempre. Um filme para penetrar em nossos corações e formar nossos repertórios artísticos, intelectuais e históricos.

  

Até a próxima e Ave Caesar!

Texto de Eligio W. Junior

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