segunda-feira, 22 de outubro de 2012

TED: Um ursinho de pouca pelúcia e muita erva


No mundo da animação digital primeiro veio Gollum de Senhor dos Anéis. Depois o símio César (interpretado pelo mesmo Andy Serkis) e em seguida a evolução em forma de ursinho “fofinho” chamado Ted.
Seth MacFarlane - diretor e criador de Family Guy (Uma Família da Pesada) - resolveu dar um passo além dos desenhos politicamente incorretos e dirigir uma comédia live action (com atores reais) de humor negro desbocado, que ganhou todas as telonas do mundo.
No Brasil se tentou tirar o filme de circulação a partir dos apelos do deputado Protógenes Queiroz, mas felizmente prevaleceu o bom senso e o respeito ao direito de expressão. Vale a pena lembrar que tal episódio só fez crescer a arrecadação nas bilheterias brasileiras, gerando um efeito contrário ao desejado pelo deputado.

Ted é uma história sobre crescimento desenvolvida principalmente para os adolescentes da década de 1980 que, assim como eu, hoje estão na casa dos trinta. Seu enredo nos leva a um dia de Natal, onde o jovem John Bennett faz um desejo para seu ursinho de pelúcia (que na língua inglesa é conhecido com o teddy bear) ganhe vida e esteja sempre ao seu lado. Demonstrando a inteligência de sempre, MacFarlane explica a transformação como algo plausível e nada bizarro, fortalecendo ainda mais a empatia inicial do público com Ted que, a propósito, foi interpretado pelo próprio diretor através da captura de movimentos por computador.
Quando o desejo de John se torna realidade, Ted vira uma celebridade mundial sendo inclusive entrevistado por Johnny Carson, no seu famoso talk show da década de 1970. Entretanto, a fama é efêmera e como lembra a narração de Patrick Stewart (o professor Xavier da primeira trilogia dos X-Men), Ted seguiu o exemplo de Corey Feldman (famoso ator teen dos clássicos de “Sessão da Tarde” como Gremlins, Os Goonies, Conta Comigo e Garotos Perdidos) e caiu nos ostracismo deixando de ser uma celebridade, para ser tornar apenas um SHIT!

Apesar de ter um roteiro original e diálogos afiados, o filme apresenta problemas como a má utilização de Mila Kunis (recém eleita mulher mais sexy do mundo) que não passou de uma namorada vilã criadora de um drama rasa, além da subtrama envolvendo Giovanni Ribisi como um pai assustador e antigo admirador de Ted, que insiste em comprá-lo para seu sinistro e obeso filho. Em contrapartida, Mark Wahlberg surpreende em sua quase meia-idade ainda fumando bongs e assistindo Flash Gordon com seu igualmente irresponsável amigo urso.

A arma secreta de MacFarlane é que Ted realmente convence ao fazer parte de nossa realidade e despertar nossas crianças interiores (quem não gostaria de voltar a ser jovem e ter um amigo para farrear o tempo todo?) na mesma intensidade em que mantém o caos R-Rated de situações absurdas, como um brinquedo “inocente” fazendo sexo dentro de um supermercado. 
 
Ted é mais do que uma seqüência interminável de piadas ridículas acerca de um ursinho de pelúcia com síndrome de Pinóquio. O filme é na realidade uma reminiscência de Peter Griffin (personagem protagonista de Family Guy) e Peter Pan, sendo tão envolvente quanto inteligente, engraçado e também ridículo, mas surpreendentemente uma das melhores comédias do ano!


Até a próxima!

Texto de Alex Heilborn

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