sexta-feira, 15 de março de 2013

Argo, fuck yourself!


Junte um plot desinteressante, um elenco morno (calma Alan Arkin está ótimo), um diretor “iniciante” e obviamente já desistimos de ver o filme, certo? Yep, quase.

Assisti Argo com três pezinhos atrás, e no final, tive que confessar a mim mesmo, baixinho, é claro, que foi para eu não ouvir, que é um ótimo filme médio.

Com um roteiro adaptado do livro de Tony Mendez (Ben Affleck no dito cujo filme), Argo conta a velha nova história do exacerbado heroísmo norte americano contra a vilania dos barbudos do Irã. Haja bandeira tremulando e situações forçadas.

História real, controversa, afinal os Iranianos teimam que não foi bem assim que ocorreu, Argo narra o cinematográfico (mesmo!) plano dos Governos Americano e Canadense para resgatar 6 diplomatas que escaparam da famosa invasão à Embaixada Norte Americana no Irã.

O grande mérito do quase canastra e agora multi premiado Ben Affleck foi transformar um tema não interessante para a maioria em um filme leve, que prende o telespectador e por oras divertido. Sim, existem piadas, alívios cômicos inesperados, o que compensa os tropeços de timing.

Se o filme começa numa grande interrogação sobre o que esperar, o pensamento de “que raios eu estou fazendo aqui” se dissipa logo, graças à sempre pontual atuação do mestre John Goodman, cada vez mais solto e divertido. Aliás esse ano, com Argo e O Vôo, Goodman se destacou como o coadjuvante perfeito, seja qual for a trama.


Voltando à Argo, tudo vai bem até a metade da película, onde o atropelamento na narrativa perde um pouco do foco e clima criado. A direção é extremamente correta, sem exageros ou riscos corridos, a fotografia ajuda, e coitado do editor, que deve ter sofrido para montar os dois dias cruciais da estadia de Tony Mendez no Irã. Tudo é muito “fast forward” pro meu gosto, e com uma trilha sonora tediosa e sem sal do não sei por que sempre contratado Alexandre Desplat, quase o filme vai pro espaço. Sem a espaçonave, claro. Tudo para guardar minutos para o grand finale, completamente Hollywoodiano, (sem spoilers por aqui!!) com uma até convincente sequência de perseguição.

Talvez a Academia tendo ignorado Affleck na indicação de melhor diretor foi o que o filme, médio, precisava para ganhar destaque e todos os outros prêmios similares de direção. Mas tiro meu chapéu para as caracterizações e detalhamento minuncioso, uma direção de arte muito bem trabalhada.

Resumo da ópera: dêem uma chance a Argo, que mesmo não sendo memorável e marcante, vai garantir boa diversão. E com um final prá lá de nostálgico para os nerds. Com certeza, assim como eu, ficarão dizendo “Argo, fuck yourself” por um bom tempo!


Texto de Rogério Ferrari.

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